Saturday, March 21, 2009

Saliva

Não tenho medo de saliva quente a lavar-me as entranhas

Eu cultivo o contacto com situações estranhas

Respeito as opções dos outros mas não aceito imposições

Ou que as minhas escolhas me empurrem para o centro das atenções

Necessito de experimentar tanto como do ar que respiro

Primo por tentar dar sempre mais do que retiro

Celebro castigos consentidos e consinto castigos

Procuro cogumelos nucleares, não me escondo em abrigos

Arrisco reprovação social e despeito generalizado

Não aceito que tribunais populares me considerem culpado

O manto de clausura que me cobre e protege é transparente

Nada tenho a esconder da elite ou da gente

A minha privacidade não contém zonas pintadas a cinzento

No meu passado não mora qualquer vergonha ou lamento

Confronto sempre as situações dúbias antes que se tornem certezas

Não abandono as discussões apenas porque se tornam mais acesas

Memorizo cada pormenor, cada instante

Sinto que me rasgas com a tua língua cortante

Fazes-me chorar de prazer

Sinto-me renascer

Tuesday, March 17, 2009

quase sem luz



o dia de trabalho tinha acabado
e de repente apeteceu-me registar este momento

Friday, April 06, 2007

Sense morbidus

Os vermes alojam-se nos meus dentes
Masturbam-se esfregando-se nas minhas gengivas
Enchem-me a boca de esperma
E o cheiro que emana é nauseabundo

Nos meus caninos está o sangue
De mil virgens que desflorei em segredo
A minha língua estorce-se em caricias
Na lembrança de estranhas sevicias

Dos meus olhos caiem lágrimas prazerosas
Que se roçam pela minha cara
E se retêm, para que se prolongue a descida
Desenham rastos quentes até aos cantos da boca

Saboreio um prazer mórbido e nojento
Assim mesmo abro um sorriso
E por entre desmaios dos que me rodeiam
Alguém me beija prolongadamente

Lamento

Lamento ser
Sentir
Querer
Desejar
Ter
Lamento saber
Lembrar
Lembrar
Lembrar
Lamentar

O primeiro golpe cega-me e ao invés de ficar imóvel acelero para o abismo
Vou correr para um bar e pedir perdão ao santo álcool.
Ainda agora saí do esgoto e já anseio voltar
Em noites como esta eu corto os pulsos compulsivamente
E sou um pobre coitado triste e abandonado…. Por ti (quem quer que sejas)
Às vezes faço cortes só para ver o sangue tentar escapar ao meu corpo mas depressa, mais depressa que faço os cortes, bebo o sangue aprisionando de novo cada gota.
Assimilo cataclismos como o meu organismo ao açúcar
E estou encalhado entre quem me ama e quem anseia matar-me
Escolho sempre o lado errado?!?!?!


Saboreio salubridade em beijos apaixonados e vomito agoniado de seguida para me sentir mais humano
Tiro fotografias ao espelho à espera de vislumbrar o meu reflexo mas só vejo a minha sombra
E quando mergulho em mim espero morrer afogado em qualquer charco poluído por produtos de higiene íntima.
Aceito sugestões mas se me dizem asqueroso ouço saboroso e peco pelo excesso.
Embalo-me na falsa proximidade em melodias industriais de NIN a Ministry.
Leio Lautreamont e de novo a falsa proximidade… na verdade sou o mais triste dos tristes e….

Lamento dar
Depender
Deixar
Amar
Amar
Amar
Lamento perder

Agrafo o coração novamente até me arrancarem de novo
Ainda assim a ser tu…
Prefiro ser eu

http://www.tourettes-disorder.com/images/figures/suicide.jpg

Thursday, July 13, 2006

Usurpador

Tomas por teu o que nunca poderás ter,
com as tuas patas sujas adulteras a pureza das palavras.
Colhes frutos das terras que não lavras.
Quando te vangloriam pelo esforço dos outros sentes prazer.

Abomino-te, e sirvo-me da originalidade para te dizer.
Consegues dormir com as ideias, tal meninas, que depravas?
Se até o teu próprio desenvolvimento intelectual entravas,
Serás para sempre uma réplica de algo que nunca poderás ser.

Que cada palavra usurpada seja uma gota de veneno purificador
E te vá matando aos poucos, de remorso, usurpador.
Serei então feliz, e posso encontrar a paz a que aspiro.

És um verme da cultura, a erva daninha que rodeia a flor,
Lombriga enquadrada, sem a mente dos outros nunca terás valor.
De todos os insultos que te dirigi nem uma vírgula retiro.

o meu pai


o meu pai era um cauboi
tinha uma pistola que dava até 6 tiros
disparava noite a fora
mas não dispara agora

o meu pai era um cauboi
que me montava tal vaca bravia
montava-me a mim o meu pai
a minha mãe irmãs e tia

o meu pai era um cauboi
que mamava nas tetas da vaca da minha mãe
escusado será dizer
que a vaca era eu

o meu pai era um cauboi
que só deixou de me montar
quando engravidei
e ele se tornou avô-pai

o meu pai era um cauboi
e era porque já não é
espetei-lhe um tiro nos cornos
e não pude assistir ao funeral

A besta

A criança de colo que amamento não é minha / Dá-ma a irmã da besta / Diz-me que não é sua / Chega a jurar até / São as lágrimas que a denunciam / Em jeito de confissão declara-me que o rebento que eu agora carrego em meus braços e alimento é fruto de incestuosa relação com a própria besta / E eu não sei se choro com ela e se mato este fruto demoníaco / Se a aconchego a tomo por esposa e acarinho este fruto como meu / Eu próprio amo a besta / A idolatro e a divulgo / Eu sinto a besta por meu pai / É então minha mãe a irmã da besta / Tomo-a por esposa / Adopto o rebento / Quando faço amor com ela a besta junta-se a nós / Quando faço amor com ela ouço a voz da minha mãe / Quando faço amor com ela possui-me o meu pai / Faço amor com ela / Possuo-a e a criança / Faço amor comigo / Cresce a criança-rapaz / E eu a desaparecer / Sinto que ele me engole / Já não fazem amor comigo / Amam-se entre si / Excluíram-me / O único acto de prazer em que participo é aquele em que lhe lambo as botas / Ínfimos momentos de felicidade / Bate-me / Humilha-me / Golpeia-me / Sou o primeiro a morrer ás suas mãos no caminho que o leva a tomar o lugar da besta / Faz amor comigo-cadáver / Ama-me acto contínuo / Abro um sorriso / Quer que me junte a ele / Come os meus restos mortais / Engole a minha alma / Somos um / Faço parte da besta / Faço amor comigo.

Thursday, October 06, 2005

Observar

Fiquei a observar-lhe o rosto,
fixar as expressões a cada momento que passava junto a mim,
coleccionei a sua dentição por vezes coberta pelos seus lábios carnudos, húmidos.
Senti o seu respirar no meu pescoço,
enquanto dormia e se sentia segura.
Os seus cabelos pertenciam ao espaço que fica entre os meus dedos.
E a cada carícia afastava os seus mais arrepiantes medos.
Os beijos – mais que na boca – na face aproximavam-nos,
Disse-me que lhe eriçavam os minúsculos pêlos que faziam companhia à sua coluna vertebral, os mesmos que noutras alturas acariciei com as pontas dos dedos em sentido contrario à sua disposição natural provocando sensações similares.
Aqueles ombros estreitos e côncavos atestavam da sua fragilidade,
em cada abraço a envolvia
e a cada abraço ela se extinguia.
As suas mãos de tamanho reduzido,
sensíveis,
vítimas das intempéries – vi-as eu de roxo a rubro – massajei-as de tempos a tempos,
e recebi a ternura de um sorriso qual cartaz publicitário – venha passar ferias a Benidorm, será bem recebido.
E era o céu dos pecadores nesses momentos.

Mas foi o seu pescoço nu que realmente me cativou desde cedo.
E mil vezes ensaiei aquela cena antes de a concretizar.
As minhas mãos colocadas de forma a acariciar com os polegares
uns olhos cristais preciosos protegidos por pálpebras frágeis,
enquanto os mindinhos enfiados entre as orelhas finas
limpas de brincos e o prolongamento da face até à nuca.
Quando a tensão desaparece, espelhada na respiração calma,
quase dormente, a mão esquerda abandona a sua posição original
e vai rodando no sentido dos ponteiros do relógio
até o dedo apontador encontrar o pulso da mão direita.
A mão direita avança suave e compassadamente pelo lado direito do pescoço
até à região lombar, sem que se quebre a ligação com a mão esquerda.
Nesta posição a parte interior da mão está posicionada sobre a sua boca entreaberta.
Então no momento em que a parte interior da mão é acariciada por uma língua perversa – capaz de provocar as maiores explosões de prazer –
empurro violentamente para a esquerda
um queixo desprevenido confiante e certo
de forma a partir aquele pescoço que me fascina
numa só tentativa
sem gritos ou dores desnecessários.
E a expressão de segurança que era transmitida pelos olhos cristais é substituída pelo terror e quando a minha orelha se aproxima dos lábios carnudos espero ouvir o último suspiro...

The image “http://www.crimelibrary.com/graphics/photos/criminal_mind/psychology/serial_killer_art/6-1-John-Wayne-Gacy.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.

Monday, September 26, 2005

Abstémia

A criança já não chora de cada vez que lhe introduzem o dedo na vagina

A criança com sono nada de costas no marasmo de inutilidades que a circunda
A criança com sono descansa num regaço de sonhos desfeitos e carinhos pervertidos
A criança não vê o sol envolvida que está no manto da escuridão imposta
A criança de quem se disse não ser sociável, não interagir, ser triste e apagada
A criança que chorava sem razão aparente e se isolava das outras crianças

A esta menina que agora dorme envolta numa aparente felicidade chamaram criança de risco
Está catalogada na segurança social da sua área de residência
Será vigiada de perto para que o trauma seja ultrapassado sem deixar sequelas graves

A criança cuja educadora de infância não teve sensibilidade para decifrar os sinais -
Afinal as nódoas negras nas coxas são tão habituais nas crianças que não constituem motivo para alarme -
A criança agora é tema de debates, até na televisão
Dizem que representa outros meninos na mesma situação
Mas a criança nada percebe, sente-se mal e adoece exposta aos mirones que se dividem entre a compaixão e a vontade de ser o pai dela

A criança que dorme angelical já não sofre com a atenção que recebe
Entrou num estado catatónico
Deixou de beber as suas próprias lágrimas
Agora chamam-lhe abstémia

The image “http://www.mundoposible.cl/imagenes/pedofilia.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.

Monday, September 19, 2005

Syphilis nation

Syphilis nation welcomes you!
Sadist relations - I want you!
Monogamy - I’m thru with you,
You’re in this world without a clue!

Isn’t it great to be a little girl?
Especially if you are all alone in this world!
While you sell your soul, your false purity,
Perverts pay for your body, take your dignity!

Seventeen thousand or maybe more
Wish they could fuck you little whore!
They’d eat your diseases and your sins,
Trade all your losses for their wins!

Nobody listens to your opinion.
Giant rats expand their dominion.
Don’t let them show you how to live your life
Or else you’ll become their soap wife.

Sodomist TV wants your attention.
They will appeal to your sensation!
Subliminal messages are sent to your brain.
You either obey or go insane!

This no-second chance society
Loves heroes and winners, hates losers like me.
It’s all about bringing the others down!
It’s all about having nobody around!

The dictatorship of faggots and fashion
Guide us to our very last action.
We are repercussions of their will.
No space four detours! No space to feel!

The badges and budgets push us around.
The mace and boots keep us on the ground.
Brute force is no menace, just reality!
Will we fight back or just let it be?

The radio and TV’s control lobotomy
Keeps our mind from being free.
Electrical impulses nicely combined
With words and pictures aligned.

Our piece of mind gives us away.
The enemies feed us with epidemics.
Outcaste or enslaved,
No power to choose.
We’re bound to forgive and forget.
After each fall we’ll get up and get well!
The lust for life is a relic of the past!
Will we survive long enough to grow old?

The image “http://taltos.pha.jhu.edu/~tamas/files/images/jesussaves.gif” cannot be displayed, because it contains errors.